Esta série foi feita em um único dia, na cidade do Rio de Janeiro.  Muito embora, aparentemente, apresente cenas muito comuns em um pais tropical (homens fruindo areia e mar), não são homens comuns que vemos aqui, são homens extraordinários,  pessoas que por mais de 20 anos estiveram recolhidas em hospitais psiquiátricos, que foram apartadas do convívio social, que foram submetidas `a uma  rotina de excessivos remédios e eletrochoques  e que nunca, nem mesmo em sonho, poderiam supor que um dia chegariam até o mar.  

 

Portanto, é possível dizer que esta série começou em 1992 quando foi criada a lei da reforma psiquiátrica no Brasil. De lá pra cá, muitas foram as lutas e os avanços no campo da saúde mental coletiva, na criação e implementação de políticas que visam a reinserção social dos pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos. Dentre as políticas desenvolvidas, não há dúvida de que uma das mais eficientes, com resultados extraordinários, se estabelece através da arte.

 

Com o intuito de desenvolver esta política foi criado na cidade de Porto Alegre o Nau da Liberdade, grupo composto por profissionais de diversas áreas da ciência e da arte e por pacientes do hospital psiquiátrico São Pedro que, além de outras atividades, criam espetáculos coletivos e viajam para algumas cidades do país para apresentá-los.  Tive  a oportunidade  de acompanhar uma dessas viagens, juntos embarcamos para o Rio de Janeiro e posso afirmar que a experiência de conviver e fotografar estas pessoas me transformou completamente.

 

Muitos foram os momentos emocionantes, mas,  sem dúvida alguma, o mais intenso  e significativo para mim e para eles foi o momento em que estes homens extraordinários chegaram `a praia, sentiram a maciez da areia branca sob seus pés e encontraram, pela primeira vez, a imensidão mítica do mar. 

 

 

 

 

This series was taken in a single day, in the city of Rio de Janeiro. Although, apparently, it reflects very common scenes in a tropical country (men, sand and ocean), what could seem ordinary people, are actually extraordinary human beings who were residents of a psychiatrIc hospital, some of them for more than 20 years. People who were set apart from the general society and never, not even in a dream, could assume that one day would touch the sea.

 

So, it is possible to say that this series began in 1992, when the law of the psychiatric reform in Brazil was created.  Since this date, we have had many conflicts and changes in the public mental health system, concerns of a creation and implementation of policies aimed at the social reintegration of long term patients in psychiatric hospitals. Among these policies, there is no doubt that art, more specifically painting, music, dance and theater, is one of the most efficient, with extraordinary results.

 

To develop this policy was created in the city of Porto Alegre the “Ship of Freedom”, group composed of professionals from various fields of science and art and by patients of the São Pedro Psychiatric Hospital. Besides other activities, the group creates collective performances and travels to some cities in the country to show them. I had the opportunity to participate in one of these trips. We boarded to Rio de Janeiro and I can say that the experience of living and photographing these people transformed me completely.

 

We lived many exciting moments, but the most intense and meaningful to me and to them was the moment that these extraordinary people arrived in the beach, felt the softness of the white sand beneath their feet and were, for the first time, with the immensity of the mythical sea.