Sobre
Cresci no pampa, no interior do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, onde o horizonte é quase tudo e o que resta é silêncio.
Aprendi cedo que o vazio não é falta, é espaço para o olhar respirar.
Larguei o Direito em 2001 e passei os vinte e cinco anos seguintes desenhando luz para a cena — para Philip Glass, Marianne Faithfull, Goran Bregovic, Egberto Gismonti, Adriana Calcanhoto. Aprendi ali um ofício muito preciso: a luz não serve para mostrar as coisas. A luz constrói as coisas. Sem ela não há forma, não há tempo, não há espaço.
Depois virei a câmera para a própria luz.
Levei anos para entender que aquela paisagem tinha me ensinado a ver. Quando encontrei a contenção da estética oriental, o zen, o gesto mínimo da cultura japonesa, reconheci ali o mesmo silêncio do sul.
Desse encontro nasceu o que chamo de minimalismo del sur: o minimalismo do pampa onde fui criado.
Fotografo o que sobra quando o excesso se retira: a luz que constrói em vez de iluminar, o branco que é matéria.
Não busco a ausência, busco o essencial que é deixado a descoberto.
Cada obra é um lugar de pausa. Levá-la para uma parede é levar esse silêncio para dentro de casa.
Fabrício Simões
About
I grew up in the pampa, in the countryside of Rio Grande do Sul, on the border with Uruguay, where the horizon is almost everything and what remains is silence.
I learned early that emptiness is not lack, but room for the eye to breathe.
I left law in 2001 and spent the next twenty-five years designing light for the stage — for Philip Glass, Marianne Faithfull, Goran Bregovic, Egberto Gismonti, Adriana Calcanhoto. There I learned a very exact craft: light is not there to show things. Light builds things. Without it there is no form, no time, no space.
Then I turned the camera on light itself.
It took me years to understand that the landscape had taught me how to see. When I encountered the restraint of Eastern aesthetics, zen, the minimal gesture of Japanese culture, I recognized in it the same silence of the south.
From that encounter came what I call minimalismo del sur: the minimalism of the pampa where I was raised.
I photograph what remains when excess withdraws: light that builds rather than illuminates, white as matter.
I do not seek absence, I seek the essential that is left bare.
Each work is a place of pause. To carry it to a wall is to carry that silence into the home.
Fabrício Simões
Currículo · CV
Formação · Education
Mestrado em Artes Visuais — Universidade Federal de Pelotas (UFPel), 2019.
Linha de pesquisa: Processos de Criação e Poéticas do Cotidiano.
Graduação em Fotografia — ESPM e ULBRA.
Prêmios · Awards
People's Vote — reFocus Award, Black and White Contest, 2024
Finalista — BNW Minimalist Photography Prize, 2024
1º lugar, série Nau (então Inner Ocean) — SET Award Brazil, 2014
Prêmio Açorianos de Melhor Iluminação — quatro vezes: 2011, 2013, 2020 e 2024
Exposições individuais · Solo exhibitions
2025 — Milonga e Quando a Água Baixar, Wish Serrano Resort, Gramado/RS
2018 — Sunyata, Instituto de Estudo e Pesquisa em Psicoterapia de Porto Alegre (convite)
2017 — Possessos, Meme Santo de Casa Estação Cultural, Porto Alegre
2017 — Possessos, Café do Porto, Porto Alegre
2014 — Retratos, Meme Santo de Casa Estação Cultural, Porto Alegre
2013 — Tholl, Theatro São Pedro, Porto Alegre
Exposições coletivas · Group exhibitions
2018 — Portfólio Fotógrafos (série Possessos), Espaço Cultural dos Correios, Porto Alegre — evento paralelo à Bienal de Artes Plásticas do Mercosul
2018 — BR-116, Projeto Deslocc, Museu do Doce, Pelotas/RS
2018 — Sunyata (videoarte), Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), Pelotas/RS
2018 — Sunyata (videoarte), III Encontro Internacional de Sociopoética, Universidade Federal do Piauí, Teresina/PI
2017 — Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC-RS)
Publicações · Publications
BNW Minimalism Magazine
LensCulture Magazine
One Eyeland
Revista da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
“Possessos: fotografia e performance” — Revista Iluminuras (UFRGS), 2019
Próxima Página, vol. 1 — coletânea artística, Editora Lugares-Livro (capítulo)
Arte e sociedade · Art and society
Nau (2018) — série realizada com o grupo Nau da Liberdade, do Hospital Psiquiátrico São Pedro, acompanhando pacientes em viagem ao Rio de Janeiro e seu primeiro encontro com o mar.
Oficina de Fotografia Inspandida — Espaço Mahadeva, Cassino/RS, 2018.
Design de luz · Lighting design (2001–)
Desenho de luz para Philip Glass, Marianne Faithfull, Goran Bregovic, Egberto Gismonti, Adriana Calcanhoto, Vitor Ramil, Kleiton & Kledir, Humberto Gessinger e Nenhum de Nós.
Coordenação técnica de três edições da Bienal de Artes Plásticas do Mercosul e de quatro edições do Porto Alegre Em Cena.
Criações para dança e teatro, entre elas Ainda Que Seja Noite (dir. Silvia Canarim), Theatro São Pedro, 2018.